quinta-feira, 22 de março de 2007

O Tearo Eduardo Brasão Tem..


Na qualidade de associado de longa data do Teatro Eduardo Brasão, e de já ser cinquentão, que durante a sua vida adulta se viu privado de frequentar um espaço cultural de excelência na terra que o viu nascer, devido a preconceitos politico-partidários de direita e esquerda, sustentados por uma capa castradora da inteligência e vontade de ser Bombarralense
Passadas já várias dezenas de anos, relembro a minha adolescência, o edifício do Teatro Eduardo Brasão foi uma referência de vivência social. Foi lá, que vi o primeiro teatro, aprendi a jogar Ténis de Mesa, Damas, a espreitar o Xadrez, a ganhar hábitos de leitura jornais e revistas…..a beber no bar da cave uns copos com os homens, a cruzar um olhar com as raparigas, a fazer umas malandrices aos malandros das outras Terras, depois cresci a nível cultural e fiz – me homem, segui caminhos, voltei de África, mas uma das poucas preciosidades da minha terra nunca mais pude mostrar aos meus amigos
Estou a escrever, porque no Bomportal, o Mário Nunes dá o seu contributo para a recuperação física e social do Teatro Eduardo Brasão, achei que não devia ficar sozinho.
O Teatro Eduardo Brasão, a instituição Eduardo Brasão deve ser entregue á sociedade civil bombarralense, não pode ficar prisioneira de uma só actividade o Teatro. Tem de ser uma sala de visitas, um centro de cultura e sociabilidade, onde seja reabilitado o espírito de tertúlia
O Teatro Eduardo Brasão,. o complexo do Palácio do Gorjão, a Mata Municipal ….são um património histórico de raiz cultural, que vai obrigar os Bombarralenses a valorizar o que é seu e das futuras gerações, a bem da imagem e do desenvolvimento cultural e económico do próprio concelho.
O Teatro Eduardo Brasão faz falta ao Bombarral, pode ser uma sal de visitas, um viveiro e embaixador de cultura e porque não uma imagem de Marketing Cultural?

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007

Um Desiderato " O Bombarral "

O Bombarral é um concelho bem localizado geograficamente, rasgado por acessibilidades, umas projectadas no passado outras no presente, ambas com grandes potencialidades quanto ao futuro.
Alguns, teimam em afirmar que a A-8 é uma calamidade, esvazia o comércio e os serviços, e que o caminho de ferro não tem importância na actualidade e não dá perspectivas quanto ao futuro.
Outros, acenam com o papão da satelização urbanística, em relação a grandes aglomerados urbanos como, Lisboa, Leiria ou Santarém….
Outros, defendem que o Bombarral nesta letargia de desenvolvimento é que está bem, nada de confusões. É a terra ideal para reformados, desde que adaptados a uma pacatez e pachorrenta insensibilidade social e cultural, nada de manias novas, sempre assim foi e assim é que tem de ser.
Estas contradições ao nível do conhecimento, tem sido a génese preconceituosa da orientação da vida politica, económica e social da sociedade Bombarralense, ao longo dos últimos anos.
O cidadão comum absorvido no trabalho do dia a dia, naturalmente deixou para a classe politica, a gestão, a orientação, o rumo estratégico de desenvolvimento concelhio.
Actualmente, o Bombarral não tem uma estratégia de desenvolvimento, não tem uma ancora para servir de tampão a uma crise social reflectida na falta de perspectivas empresariais e de manutenção e criação de empregos.
A Agricultura e o Mundo Rural em Portugal, está numa encruzilhada sem sentido, passa por uma crise sem precedentes, tecnocratas nacionais com convicções europeístas vão destruindo o que resta em termos estruturais e lançando a descrença na mente dos produtores, as ajudas tardam e não estão planeadas e organizadas, para a tipologia rural da região Oeste e do concelho do Bombarral.
O comercio tradicional debate - se diariamente com uma crescente falta de clientes, devido a um reduzido poder de compra, todos os dias fecham lojas e aumentam os nºs de desempregados
Os serviços sejam braçais ou administrativos estão a sofrer as consequências das situações anteriores.
Actualmente em democracia, os autarcas concelhios, principalmente a câmara e a assembleia municipal, tem a responsabilidade na gestão e na dinâmica a imprimir no aproveitamento das potencialidades endógenas, numa estratégia de interacção e captação de mais valias, ora junto das instancias regionais, nacionais e internacionais, ora junto de agentes do meio empresarial e económico nacional e internacional.
A câmara municipal tem de possuir influencia politica, estar na linha da frente, onde são discutidas as politicas de desenvolvimento regional, na actualidade tem de possuir carácter de liderança, de forma a motivar um tecido empresarial concelhio algo fragilizado.
Na agricultura tem de apoiar as suas organizações, que por falta de apoio estatais estão condenadas ao fracasso.
Tem de considerar a fileira da Pera Rocha, como ancora da sustentabilidade da economia agricola concelhia, e a Pera Rocha, como produto alvo, que pode catapultar bem alto nome do Bombarral, alavancando outras oportunidades empresariais e comerciais.
No comércio e serviços há que pensar em aproveitar enquanto há tempo, alguns terrenos situados dentro da vila, ocupados com casas velhas ou á espera de novas oportunidades para construirem mais uns andares, negociando com os proprietários, com dinheiro dos interessados e se for preciso permutando com terrenos da CM Bombarral, de forma a ficarem disponíveis para instalar alguma media superfície que parece andar por aí perdida a querer instalar – se mais vez na periferia da vila, esvaziando o seu epicentro económico e social.
Ao pretenderem instalar mais uma estrutura de comercio e serviços, ( só pode ser tipo centro comercial Vivaci ou Arena) com capacidade promocional a nível nacional, e só no centro do Bombarral, para funcionar como uma alavanca geradora de movimento de pessoas e bens, criando novas oportunidades para instalar negócios, desatolando os comerciantes locais e o comercio tradicional de um verdadeiro charco politico/administrativo em que foi envolvido.
Mas, não se esqueçam de construir estacionamentos enquanto há terreno disponível, de preferência gratuitos.
Quanto á industria para começar, um pequeno parque industrial, com algumas valências, através de uma incubadora de empresas prestando e agilizando apoio ás instaladas no concelho, e pesquisando nos meios empresariais, oferecendo inovadoras condições de instalação á procura, por exemplo estruturas para produção, utilização e venda de energias renováveis.
Com uma sólida gestão estratégica das potencialidades concelhias, naturalmente sem grandes exercícios, mas com alguns conhecimentos académicos, novos rumos surgirão para o turismo, a educação, o desporto e para a maltratada cultura popular.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2006

Bombarral Agricola e Rural

Os agentes sociais, económicos, culturais e politícos do concelho do Bombarral devem estar atentos aos ventos da história, para começarem a valorizar algumas das potencialidades endógenas.

Este concelho está estagnado, tem sido votado ao abandono, por parte de uma certa classe politica regional e nacional, é um concelho cuja economia assenta quase em exclusivo na agricultura, portanto não tem futuro. O futuro está na floresta, os produtos alimentares vem do estrangeiro, é só mandar faxs ou emails, e os contentores logo aparecem com grande pompa e circunstancia. ( A Pêra Rocha argentina já anda a rondar a porta dos mercados abastecedores,.não é ficção é no mês de Abri de 2008)

Mas afinal, estavam enganados! Os homens e as mulheres que labutam na terra começam a fazer falta, são precisos para preservar a natureza e produzir bens alimentares até para os políticos e grandes teóricos da economia politica.

Hoje falta, o trigo, o arroz, o leite, a carne, o pão, …e amanhã a Pêra Rocha do Oeste, as maçãs, a batata, as couves, o feijão verde …, porque as américas..as argentinas, os brasis, as áfricas…tem de pensar em biodiesel, e produzir bens alimentares para eles, os portugueses só podem comprar se tiverem dinheiro. Este só pode surgir no futuro através do trabalho, emprego ou empresariado.

Ao longo da ultima década, na Região Oeste, tem sido gastos milhões de euros, em estudos económicos e plano estratégicos , sempre com o objectivo de acabar com os agricultores, são pequenos tem de acabar! Só interessa estudar o aeroporto, o TGV, as pontes …..e o Alqueva…

Tem desprezado as especificidades regionais, as microeconomias, as PMEs agroalimentares, e tem feito grandes obras, nalguns casos por acabar, que tem por exemplo absorvido o dinheiro da agricultura, ex: o MARL, Mercado de Origem de Alcobaça, a Barragem da Sobrena no Cadaval, a Barragem de Alvorninha em Caldas da Rainha, a Barragem de Óbidos em Óbidos…agora expliquem as razões que levam estas estruturas a não funcionarem, qual é a culpa dos agricultores ?

Perante este cenário os Bombarralenses tem sido passivos espectadores, para além da iniciativa privada de raras excepções, não tem contribuído para o esbanjamento dos fundos comunitários, tem sido ludibriados ao longo dos tempos, por politicas cujos objectivos são liquidar o que resta de estruturas grupais de carácter cooperativo e associativo, para deixar os pequenos e médios produtores agrícolas á mercê de interesses menos escrupulosos.
Onde estão os grandes produtores agrícolas no concelho do Bombarral ? E os que tem dimensão económica, umas dezenas de Há e criam postos de trabalho, não devem ser confundidos com aqueles que possuem milhares de Há, por exemplo no Alqueva.
Os responsáveis políticos do concelho do Bombarral devem procurar melhorar a cooperação com as organizações da sociedade civil, de modo a aproveitar o mais rápido possível as potencialidades locais.
A agricultura, outrora um sector pujante, dinamizava embora com algumas fragilidades económicas e sociais a economia concelhia. Actualmente quando parecia moribundo, os ventos da história parecem lançar novas esperanças de vida. Afinal ! Os agricultores fazem falta para cuidar da natureza e produzirem comer para pessoas e animais.
Assim, talvez mais depressa do que muita gente pensava, a agricultura irá ter novamente importância. Mas a curto prazo o Bombarral deve procurar outras valências para colmatar os prejuizos causados pela actual recessão do Mundo Agricola.
Tem de pensar em aproveitar. O teatro Eduardo Brasão, o Picoto e a zona das Grutas da Columbeira , a Quinta dos Loridos,


segunda-feira, 15 de agosto de 2005

Missão Empresarial ao Estado do Rio de Janeiro - BRASIL

Na sequencia das missões empresariais ás províncias de Luanda e Huambo, em Angola, no passado mês de e Julho, a CAL- Câmara de Agricultura Lusófona, com o apoio institucional da AAO- Associação de Agricultores do Oeste e AJAL – Associação dos Jovens Agricultores de Leiria e financeiro e logístico da Associação Leader Oeste, organizou uma missão empresarial ao Estado do Rio de Janeiro, no Brasil, de 11 a 19 de Setembro do ano corrente.
Esta missão empresarial teve como principal objectivo melhorar e desenvolver as relações bilaterais, nos domínios das relações humanas, institucionais e económicas, entre o povo irmão brasileiro e o espaço lusófono, que é constituído por mais de 200 milhões de pessoas, assim como visitar a SIAL ABRAS MERCOSUL 2003 e participar na 33ª Convenção Nacional de Supermercados, no Rio Centro.
Para que este desiderato se tornasse realidade, foram realizadas várias reuniões com instituições politicas, económicas, investigação, sócio – profissionais e empresariais.
Esta missão empresarial começou em Lisboa, no dia 11 de Setembro, pelas 10 h, no Aeroporto Internacional da Portela, com uma concentração de 23 pessoas, que rumaram num avião da Varig, ao Brasil, pelas 13 h 30m portuguesas, com chegada ao Aeroporto Internacional do Galeão em S. Paulo, 9 h depois, onde aguardaram 1 h pela viagem final para o Rio de Janeiro, concretizada 40 m depois, com uma desejada e óptima aterragem no Aeroporto Internacional António Carlos Jobim.
Passadas 11 h da partida de Lisboa, este grupo de técnicos e empresários portugueses, dirigiram-se para o hotel Miramar, onde ficaram instalados em plena Avenida Atlântica, na majestosa e fraterna Copacabana.
Foram iniciadas as reuniões, no primeiro dia, sexta feira, na Federação de Agricultores do Rio de Janeiro, ficando criadas as bases para uma futura cooperação entre esta instituição a CAL, Leader Oeste, AAO, AJAL e os Países Lusófonos.
Seguiu – se uma reunião na Delegação Federal de Agricultura do Estado do Rio de Janeiro, sedeada na cidade de Niterói, sendo esta missão empresarial recebida de forma calorosa pelo Secretário de Agricultura do Estado do Rio de Janeiro, com a garantia do seu empenhamento pessoal no reforço das relações entre as instituições ligadas á agricultura e ao agronegócio portuguesas e do Estado do Rio de Janeiro.
Terminaram o dia, já noite, em reunião com a Investe Brasil, que é uma empresa constituída por empresas públicas e privadas.
Privadas:
- Confederação Nacional das Instituicões Financeiras, Confederação Nacional do Comércio, União Brasileira dos Promotores de Feiras, Câmaras Internacionais de Comercio: França/Brasil; Suiço/Brasileira;
Brasil/Canadá; Brasil/Alemanha; Argentino/Brasileira; Japonesa/Brasileira; Sueco/Brasileira; Estados Unidos da América/Brasil….
Publicas:
Ministérios: Planeamento Orçamento e Gestão, Relações Exteriores, Fazenda, Integração Nacional, Desenvolvimento da Industria e Comércio Exterior, Minas e Energia, Transportes, Comunicações, Trabalho e Emprego, Agricultura Pecuária e Abastecimento.
A Investe Brasil ofereceu de forma gratuita para as organizações que integraram esta Missão Empresarial, os seguintes serviços:
- Organizar Road Shows com o objectivo de pesquisar oportunidades de negócios, organizar a nível formal e informal os trâmites e procedimentos necessários para realizar investimentos, Apoio formal no processo de implantação e fomento de parcerias com agentes locais….
No segundo e terceiro dias, ( Sábado e Domingo) foram dias livres para realizar passeios ou ir á praia, todavia em vez do aconchegador Sol carioca, apareceu uma chuva e vento tropical que acinzentou as maravilhas com que a natureza presentiou a cidade maravilhosa.
Apesar do mau tempo, o grupo constitui-se em sub-grupos, uns foram em passeio turístico para, Angra dos Reis, Ipanema, Niterói ou ficaram no hotel.
Os que foram para a cidade de Niterói, corresponderam a um convite de um conterrâneo natural da região de Viseu, personagem marcante no meio empresarial e da comunidade portuguesa do Rio de Janeiro , chamado Orlando Cerveira, para participarem na inauguração de um busto ao padre António Vieira, na missa e almoço que se seguiu, sendo apresentados á comunidade Portuguesa local.
Aqui, foram recebidos de forma calorosa, numa manifestação de portuguesismo e amor á pátria mãe, meteu os Hinos Nacionais Brasileiro e Português, sem esquecer a sardinha assada na brasa, o inagualável vinho verde e o tradicional folclore português interpretado com sentimento, por parte de um grupo de luso descendentes.
A arte de bem receber, numa demonstração de fraternidade que só os portugueses sabem expressar, teve particular carinho, no empresário Orlando Cerveira, esposa Dona Laura, cônsul honorário de Niterói, Lúcio Ferreira e esposa Dona Leda, presidente da Academia do Bacalhau, comendador Tomás de Lima e esposa Dra Labouré de Lima, e Directora da revista “Lusíadas”, a jornalista Ermelinda Correia.
Perante a forma como foram recebidos os representantes da missão empresarial, desde logo assumiram o compromisso de levar todo o grupo, embora tivessem de alterar o programa. no ultimo dia, a Niterói.
O terceiro dia( 2ª feira)foi iniciado com a visita á empresa de nome EMBRAPA – Agroindustrias de Alimentos , que funciona no Centro Nacional de Pesquisa de Tecnologia Agro - Industrial de Alimentos.
Esta empresa de capitais mistos, dinheiros públicos e privados, de acordo com os serviços prestados ( um exemplo a ser estudado pelos INIAP e COTHN ) desenvolve um extraordinário trabalho nas áreas dos: recursos naturais. recursos genéticos, biotecnologia, cereais, hortaliças, produção animal, matérias primas, café, floresta, agroflorestal, agricultura familiar, pós-colheita, desenvolvimento rural e regional, produção de frutas e tecnologias de comércio e negócios.
Para comprovar algumas destas actividades foram visitados os laboratórios, onde foi possível observar experiências em melhoramentos genéticos em sementes e plantas, assim como várias técnicas de secagem de frutos e sementes.
O sexto dia, Terça Feira, começou com uma reunião na FIRJAN – Federação das Industrias do Estado do Rio de Janeiro, que detêm O CIN – Centro Internacional de Negócios, através de uma Joint – Venture, com a SEBRAE / RJ, que tem como objectivos o apoio ás micro e pequenas empresas do Estado do Rio de Janeiro, a interagirem com o Mercado Mundial, nomeadamente com os investidores externos.
Esta reunião foi muito importante do ponto de vista dos contactos, esta federação tem como associados: o Centro Industrial do Rio de Janeiro, Ministério da Industria e do Comércio, Ministério das Relações Exteriores, Secretaria da Industria Comércio e Turismo, Câmaras Bilaterais. Alemã, Italiana e Britânica, Associação Brasileira de Empresas Comerciais Exportadoras, Associação Comercial do Rio de Janeiro, Banco do Brasil, Universidade Federal Estácio de Sá, Universidade Cândido Mendes, Centro de Estudos da Economia Mundial….
Seguiu-se a visita á SIAL ABRAS MERCOSUL, que é a maior feira agroalimentar da América do Sul, estão presentes os grandes operadores mundiais de produtos alimentares e bebidas, ou seja 650 expositores á procura de novas oportunidades de negócios.
Todavia, logo á entrada, lado direito, estava montado o stand de Portugal, montado pela CONFAGRI e AEP, com alguns, poucos vinhos portugueses, maçãs brasileiras e pêras argentinas. ( uma tristeza onde estavam as Peras Rochas, maçãs e os vinhos da Região
Oeste..)
Por fim terminou o dia, com uma audiência já á noite, no Consulado de Portugal, com a presença dos 23 elementos da missão empresarial, o cônsul de Portugal que desempenha funções de embaixador e com o delegado do ICEP ( continua no próximo numero)

quarta-feira, 15 de junho de 2005

Missão Empresarial a LUANDA - ANGOLA I

Angola, é um país que começa a criar uma consciência colectiva das suas potencialidades naturais, económicas, e sociais, de acordo com os padrões de uma cultura de matriz europeia.
Outrora, a população angolana distribuía – se ao longo do território, em pequenas aldeias, de preferência junto aos rios ou ao mar, viviam da caça, pesca, e da riqueza que a floresta oferecia em produtos naturais de origem vegetal.
Com a chegada dos europeus, mudaram-se os hábitos, costumes, tradições, foi introduzida uma nova cultura, ultimamente a guerra, que levou á concentração das populações em grandes aglomerados urbanos, daí a criação da grande cidade de Luanda, com 6 milhões de habitantes.
Actualmente, a população angolana tem enormes necessidades ao nível das necessidades básicas, mas é a formação escolar e profissional que irá alterar o seu futuro, dentro daquela lógica, “não lhes dês peixe! Ensina-os é a pescar”.
Naturalmente, hoje, Angola, a recuperar do estigma da guerra, possui um grande défice de competências técnicas ao nível dos seus recursos humanos, necessita da ajuda dos povos irmãos da Lusofonia, e Portugal integrado na União Europeia, como porta para a Europa, de braço dado com o Brasil, com a sua experiência de milénios em Africa, poderá desempenhar um papel de grande relevo nas relações sociais, politicas e económicas, impulsionadoras do desenvolvimento desse grande território que é 14,5 ( vezes) maior que o território Nacional.
Devido aos contactos anteriores por parte da Câmara de Agricultura Lusófona, de 14 a 20 de Julho, deste ano, deslocou-se a Angola, uma missão empresarial, organizada por esta instituição, com o apoio institucional da Associação de Agricultores do Oeste e da Associação dos Jovens Agricultores do Distrito de Leiria, num projecto apoiado em termos financeiros e logísticos pela Associação Leader Oeste.
Esta missão empresarial teve como principal objectivo visitar a FILDA – Feira Internacional de Luanda, actualmente a maior bolsa de negócios de Angola, mas também estabelecer relações institucionais e comerciais com parceiros angolanos, através de um levantamento das potencialidades e oportunidades bilaterais de negócios, nas províncias de Luanda e Huambo.
Este grupo de empresários portugueses ficaram instalados no hotel Alvalade, no bairro de igual nome, em Luanda.
Este hotel, nos 3 primeiros dias funcionou como quartel general desta missão empresarial. Foi palco de várias reuniões nocturnas, com: o Ministro de Agricultura de Angola, Governador Provincial do Huambo, Associação de Comercio e Industria de Luanda, algumas empresas de consultadoria e tranding: Mic, Agromundo, Novageste, Catarmar e empresários individuais.
Durante o dia efectuaram uma visita á FILDA, participaram na inauguração do pavilhão de Portugal,( lamentavelmente sem vinhos e produtos agrícolas frescos ou transformados portugueses), reunião com o Consul Português em Luanda, visitas á Administração do Cacuaco ( equiparado em Portugal, a câmara municipal ), á Região da Funda, onde foram confrontados com um plano de recuperação agricola, financiado em termos estruturais pela Comissão Europeia, e apoiado pelo estado Francês, na vertente da formação profissional.
Segui -se a fazenda SEQUELE , que é uma empresa Israelita, constituída por 25 há de estufas de produção de tomate, pimentos, alface, meloa,….20 há de horticultura ao ar livre, onde produzem: cebola, melão, melancia, beringela, pepino, pimentos, meloa, tomate, alfaces, abóboras, brássicas, …. Possui instalações para a recria de 30000 aves de carne, uns milhares de suínos e de galinhas poedeiras, incubadoras para 90000 ovos, matadouro que pode abater e 4000 aves hora, para um total de 140000 T ano e fábrica de rações onde produz 30000 t ano.
Nas reuniões com todas estas instituições foi claro que os portugueses estão a desperdiçar várias oportunidades de negócios na província de Luanda. (foi com orgulho e prazer que saborearam o excelente vinho da Região Oeste, produzido na Companhia do Sanguinhal, sediada no Bombarral, de nome “Quinta das Cerejeiras”, importado por uma empresa angolana, em almoço na Região da Funda, oferecido pelo Ministério da Agricultura de Angola.)
Em Luanda, actualmente há uma carência enorme de produtos alimentares, praticamente não existe estruturas produtivas.
Como não produzem, importam quase tudo, desta forma surgem várias oportunidades de negócio, a nível das exportações de batata, alface, peras rochas, macãs, tomates, cebolas, ovos, chouriço, vinho, azeite….,
Falta também recursos humanos com competências técnicas, tecnologia, equipamentos.
Luanda tem excelentes terras e clima para produzir bens alimentares e agroindustriais, precisa de alimentar as pessoas e os animais.
Começa a ter um comércio florescente, a construção civil tem futuro garantido, a restauração está a crescer, o turismo renasce das cinzas, quem vai á Barra do Cuanza e á Barracuda, sente vontade em voltar.
Agora ! Tem uma palavra o governo português e os portugueses, ou criam condições para encetar negócios bilaterais, inclusive de instalação de empresários e técnicos portugueses em Luanda, ou então a palavra Lusófonia, não passará de um exercício académico de cariz literário, em tempo de luxúria politica, mas aqui existe uma certeza, os espanhóis, franceses, israelitas, brasileiros…já estão no terreno, os seus governos não brincam em serviço

Missão Empresarial ao HUAMBO - ANGOLA - II

No prosseguimento da missão empresarial a Angola, que começou na província de Luanda, organizada pela Câmara de Agricultura Lusófona, com o apoio institucional da AAO - Associação de Agricultores do Oeste e pela AJAL - Associação dos Jovens Agricultores do Distrito de Leiria, num projecto apoiado, em termos logísticos e financeiros, em parte, pela Associação Leader Oeste, seguiu - se a visita á província do Huambo.
O grupo de empresários portugueses, superior a duas dezenas, embarcou no Aeroporto Internacional de Luanda, num bimotor, que fez uma óptima viagem até ao aeroporto da cidade do Huambo. Neste aeroporto aguardou-os uma calorosa recepção, por parte das autoridades do Estado Angolano e da sociedade civil, que terminou na Casa de Passagem, em pleno coração da cidade do Huambo.
Ficaram alojados no hotel da cidade, com condições razoáveis, equivalente a um hotel rural, em qualquer cidade da Europa, com uma excelente cozinha africana regada com vinhos da África do Sul, uma vez que os portugueses não lá chegam.
Começaram as visitas, no primeiro dia, pela cidade do Huambo, a antiga Escola de Artes e Ofícios do Huambo, actualmente desactivada, mas, a Ucla, AAO, Leader Oeste, Ajal e a Cal, estão interessadas na sua reactivação, seguiu - se a Universidade do Huambo, onde está sediada a única Faculdade de Ciências Agrárias de Angola, a Ucla , Cal, Ajal, Leader Oeste e AAO, estão dispostas a colaborar, a fábrica de cerveja CUCA, actualmente desactivada.
Depois iniciaram as visitas ao mundo rural, dirigiram –se á fazenda CHICHOLA, com 70 cabeças de gado, pomar de pereiras e uma barragem natural, situada na comuna da CALENDA.
No segundo dia foram até á Administração da UCUMA, a 92 km de Huambo, visitar na Comuna da CHENGA, uma fazenda com mais de 5000 há, junto ao Caminho de Ferro de Benguela, com óptimas condições para a produção de milho, trigo…segue-se a Administração do LONGOJO, com a fazenda António Pessoa, com uma área de 1500 há, com condições para a produção de milho, trigo, bananas…., a Administração CAALA, fazenda Gaspar Velho, no Coquengo, com casa de habitação, estábulos, água e 2100 há de óptimo potencial para a produção de cereal e gado…a fazenda PÕE, com 1000 há, com aptidão para a produção de cereal, gado, hortícolas, laranjas, floresta….atravessada pelo Caminho de Ferro de Benguela e pelo rio Põe, a Comuna da CHIPIPA, a 23 km do Huambo, com uma área de 593 km2, á Associação de Camponeses do ATUCO, a 45 km do Huambo, com um território com grandes potencialidades para a produção de cereal, batata, milho, hortícolas, laranja, uva, tangerina, girassol, soja, gado… fazenda BELO HORIZONTE , com uma área de mais de 1500 há, é atravessada pelo rio CULELÉ, que dá origem a uma lagoa, dando origem a um micro-clima propicio á produção de cereal, batata, girassol, tangerina, laranja, banana…
No terceiro dia, depois de uma manhã arrasadora que encheu o olho daqueles que amam a natureza, chegámos ás lendárias terras do Bailundo.
Na cidade do Bailundo( antiga Vila Teixeira de Sousa) foram presenteados com um excelente almoço, oferecido pelo seu Administrador, no Clube de Cultura e Recreio Local. Na Administração do Bailundo viram várias fazendas com enorme potencial agrícola, para a produção de : cereais, floresta, hortícolas, gado…
Seguiu – se as visitas, a Comuna do ALTO- HAMA, com a área de 3500 há, a 800 km de Luanda, 50 km da cidade do Bailundo, 135 km do Huambo, possui umas termas de aguas sulfurosas com efeitos terapêuticos na pele e foro intestinal, as Aguas Santas, a fazenda CATOIO, com uma área de 2500 há, a 15 km da cidade do Bailundo, confina com o rio Kukai, a fazenda LUBAMGANDA, confina com a serra Lubamganda, com uma área de 5000 há, com grande potencial para a produção de ,milho, soja, trigo, laranjas, tangeras, bananas, floresta…. fica a 20 km da cidade do Bailundo, é atravessada pelos rios CÓ e CUTATO, a Administração do CACHIUNDO ( antiga Bela Vista), é constituída por várias fazendas com áreas entre os 1500 a 5000 há, fica a 80 km da cidade do Huambo e do Bié, prevêem a ligação ao Caminho Ferro de Benguela, tem estradas asfaltadas até ao Huambo, Bié, Huila e Benguela, tem gande potencial de produção de: hortícolas, batata, soja, batata doce, trigo, feijão, bovinos, caprinos, suínos..Administração da VILA NOVA, é constituída por várias fazendas entre os 1000 há e os 5000 há, fica a 40 km da cidade do Huambo, tem estradas asfaltadas, grande potencial de produção: floresta, milho, trigo, soja, bananas, laranjas, tangerinas, hortícolas, gado bovino, caprino, suíno,…
Na província do Huambo, por parte do seu Governador, Eng Paulo Kassoma, das autoridades locais e população, existe uma enorme vontade em trabalhar, necessitam de ajuda ao nível das competências técnicas, equipamentos, sementes, ……e da presença dos portugueses para os ajudar a reconverter pelo menos 2 gerações criadas numa cultura de guerra, para uma sociedade onde imperem os valores humanos, como baluarte na criação de estruturas de produção, de forma a criar as bases de uma economia de estado e privada , projectada para melhorar a qualidade de vida dos naturais e daqueles que a elejam como terra de adopção.
Existem portugueses interessados em fixar-se na província do Huambo, é de interesse Nacional, absorve algumas bolsas de desemprego, melhora as relações humanas e institucionais entre as partes, fortalece a posição de Portugal, no mundo Lusófono, ( num panorama de mais de 200 000 000 cidadãos ), como porta para a Europa, África e Brasil.
Agora, a resposta terá de ser dada pelo Governo Português, necessariamente terá de haver ajudas á instalação de cidadãos portugueses em Angola, em particular no Huambo, o entendimento terá de ser entre os Governos dos dois Países e a União Europeia, por parte de Portugal, será um crime para a história, abandonar um País, Angola, onde se vê diariamente a televisão portuguesa, nos hotéis, cafés, esplanadas, habitações….discute-se as cores clubistas e os resultados dos campeonatos desportivos portugueses, como na baixa do Porto, Rossio em Lisboa, ou café de aldeia ou vila durante a Bica do almoço.

sexta-feira, 6 de junho de 2003

A Seca na Agricultura e Mundo Rural do Oeste

A agricultura e o Mundo Rural da Região Oeste debate-se com enormes problemas por falta de planeamento e ordenamento do território, das culturas e das actividades tradicionais.
Não tem existido uma estratégia política por parte dos governos portugueses que dinamize o desenvolvimento da agricultura e do Mundo Rural.
Não tem existido por parte das autarquias da Região Oeste uma politica de apoio à agricultura e ao Mundo Rural.
Quando da elaboração dos PDMs, não tem existido a preocupação de fazer um levantamento de locais com potencialidades para a construção de pequenas charcas ou barragens, sustentadas por perímetros de salvaguarda, destinados a culturas consideradas ancôra, como: a fruticultura, horticultura, viticultura, floresta ou actividades como a pecuária, doçaria e artesanato rural, restauração com ementa rural, hotelaria rural… como suporte de um verdadeiro turismo em espaço rural.
Agora, vamos falar de problemas das geadas e da seca.
Como manda a tradição e as características climáticas, os concelhos da Lourinhã, Peniche, Óbidos, Bombarral, Torres Vedras e Caldas da Rainha, possuem umas franjas territoriais que normalmente sofrem a influência dos ventos temperados marítimos, sem geadas no Inverno, o que lhes permite produzir batatas Primor, “ chamada batata do cedo” ou “ batata nova”.
Esta batata plantada e produzida no Inverno preenchia até á pouco tempo as necessidades do mercado de consumo português, evitando as roturas dos circuitos de abastecimento deste tubérculo, até à colheita da batata de fim de Primavera/Verão.
Actualmente a batata Primor é a única possibilidade de alguns agricultores sobreviverem nestas sub- regiões, arrancaram as vinhas, pomares de macieiras, pessegueiros, ameixeiras …, há dias por exemplo, frezaram as couves Bacalan porque não as conseguiram vender, ao plantarem e colherem as batatas Primor no Inverno/Primavera contribuem também para a estabilidade do mercado grossista e retalhista, uma vez que se todos os produtores de batata plantarem e colherem na mesma época de produção e colheita, provocam um excesso pontual de oferta, junto do mercado grossista, que a par da importação descontrolada de Espanha, estrangula os preços no produtor, embora por falta de organização e por consentimento politico os preços no consumidor continuem demasiados elevados, reduzindo dessa forma o consumo, com prejuízos continuados para os produtores e consumidores.
Assim, é pertinente que os produtores de batata Primor do Oeste, continuem a produzir “Batata do Cedo”, até com mais insistência, no aproveitar de uma grande oportunidade de negócio, produzir “ Antes dos Espanhóis”, aproveitando as condições climatéricas favoráveis, para produzir “ Batata Primor do Oeste” e exportá-la para Espanha, enquanto a neve impede os nossos vizinhos espanhóis de produzirem batata mais cedo.
Mas para que a produção de batata na Região Oeste, possa ter futuro, é preciso que o governo português actual, não prossiga na política dos anteriores, considerando a agricultura e o desenvolvimento rural como sub sectores económicos e sociais de menor interesse.
É neste paradoxo que temos de reflectir, a agricultura é ou não importante para a economia do País?
Se Portugal quiser apostar no desenvolvimento da Agricultura e do Mundo Rural, então tem de apostar nas potencialidades da Região Oeste, exemplos:

Inovação Tecnológica
Construção de charcas
Pequenas barragens
Sistemas de rega inovadores
Novas práticas culturais
Novas técnicas de condução
Novas técnicas de colheita
Novas técnicas de conservação
Novas técnicas de comercialização e de promoção
Formação académica e profissional adequadas às necessidades…

Empresas com Dimensão Económica:
Agrupamentos de Pequenos Produtores
Cooperativas de Produção e Comercialização
Associações de Produção e Comércio
Cooperativas de Máquinas e Equipamentos
Sociedades de Agricultura e Comércio
Associações de Exportação e Importação (com escritórios nos mercados alvo)
Cooperativas de Desenvolvimento Rural
Associações de Desenvolvimento Ambiental e Rural
Isto poderá ser algumas medidas de suporte do principio da viragem para o desenvolvimento, porque Portugal para ser um país considerado na União Europeia e Mundo Lusófono, não pode ficar eternamente á mercê das importações para satisfazer as suas necessidades alimentares, enquanto a sua população rural definha nos subsídios de desemprego ou do rendimento mínimo.
Actualmente a Região Oeste debate-se com graves riscos de seca, porque não tem estruturas de armazenamento e regulação dos milhões de m3 de água provenientes dos lençóis freáticos ou da chuva (anos chuvosos) que diariamente correm através dos rios ou riachos para o mar.
Esta água a curto prazo está a fazer grande falta nas culturas da batata e outras espécies hortícolas, na fruticultura e vinha fazer-se-á sentir lá para o inicio e fim do verão, na floresta logo que surja o primeiro grande fogo, no turismo rural não passa de uma miragem.
Portanto, a seca no Mundo Rural do Oeste é um problema endémico estruturante, tem a haver com a vontade politica do governo e das autarquias, em quererem ter uma agricultura parecida, não é preciso ir mais longe, com a da nossa vizinha Espanha.